(3x03) Capítulo 10 - Jogo Sem Saída

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    Hugo
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    (3x03) Capítulo 10 - Jogo Sem Saída

    Mensagem por Hugo em Sex 08 Jan 2010, 10:57

    Tomb Raider: A Herança dos Sacerdotes
    Escrito por Richard Bentham

    Parte 3 – As Memórias De Jason Smith


    Capítulo 10 - Jogo Sem Saída

    Rutland chegou ao hotel à noite, ainda tenso, com o coração acelerado. Estava horrível, sentia como se a qualquer hora sua cabeça fosse explodir. Subiu para seu quarto, deu duas voltas na chave da porta e pegou o celular e ligou para seu contratante.
    - A...
    - O QUE, POR TUDO QUE É MAIS SAGRADO, ACONTECEU NAQUELA TUMBA?
    - Do que você está falando?
    - Eu digo do que: eu sou pago uma grana, que nem é tão alta, para ir pegar um papel velho e inútil, e sou perseguido por um exército de caveiras e atacado pelo ossada-mor! Quatro capangas meus devem ter morrido! A tumba desabou! O que diabos...
    - Você leu as palavras, seguiu as instruções que mandei?
    - Eu tentei, mas com um exército de caveiras armadas te cercando e com uma tumba prestes a cair...
    - Idiota, não me importa o que você teve que enfrentar. Você não cumpriu o que deveria fazer, e provavelmente agora liberou a maldição. Conseguiu o pergaminho ao menos?
    - Consegui... E maldição... que maldição??
    - Você está com a chave?
    - Não, eu a perdi...
    - COMO ASSIM VOCÊ A PERDEU?
    - Mas ainda tenho a caixa com a adaga.
    - Escute, disse a voz do outro lado da linha, tentando manter a paciência, ao remover o pergaminho sem seguir as minhas instruções, você dificultou tudo. Você acabou de liberar uma das mais poderosas maldições existentes. Você não entende a magnitude do que fez. A única maneira de parar a maldição é reunindo o pergaminho novamente e, acredite, você terá que fazer isso muito rapidamente, ou as consequências serão catastróficas para o mundo inteiro.
    - Se liberei a tal maldição, então por que não estou amaldiçoado?
    - Tolo, você está amaldiçoado! A caixa e a Adaga de Hórus é que te mantém vivo! Por isso mandei você ir pelo menos com a chave – qualquer artefato ligado à Adaga protegeria contra a maldição. O que acha que fiz nesses seis anos desde que você recuperou a adaga? Até que os quatro fragmentos do pergaminho sejam reunidos novamente, ou destruídos, tenha essa caixa com a adaga próxima a você. Tenho que admitir que é mais seguro que a chave fique perdida.
    Rutland desconfiava daquela história, que soava conveniente e fantasiosa demais. Também sentia-se confuso e ao mesmo tempo furioso. Planejava desistir desse plano insano, mas agora teria que salvar o mundo, para salvar a própria pele. Não tinha escolha. Contrariado, perguntou:
    - Qual o próximo passo?
    - O mapa extraído da Adaga de Hórus apontou que um dos fragmentos está no México, na Pirâmide do Sol. Cidade do México. Vá para lá agora.
    - Agora?
    - Você causou isso. Arque com seus atos.
    Fervendo de ódio, Rutland concordou.
    - Ok.
    - E deixe capangas seus no Egito.
    - Por que eu faria isso?
    - Porque provavelmente chamou muita atenção aí. Logo suas ações serão notícia. E se alguém interferir em nossos planos...
    - E quem interferiria em algo como isso?
    - Alguém disposto o bastante.
    Rutland desceu as escadas às pressas. Não, definitivamente não concordara com esse plano para “salvar o mundo”. Aceitou a proposta pelo dinheiro, e agora o dinheiro nem importava mais. A única maneira de acabar com tudo era ir até o final. Então se ele teria que ir ao México sabe-se lá que horas da noite, ou da madrugada, ele iria. E no fim, era uma ótima desculpa para não levar todos capangas para deixá-los de “vigias”. Chamaria menos atenção no México e, afinal, era culpa de um dos “mercenários sem cérebro” que tinha dado tudo errado na tumba do sacerdote egípcio. Levaria apenas dois capangas, por segurança. Rutland deu ordens aos mercenários, escolheu dois, entrou com eles no jipe e seguiram para o aeroporto, pegando o primeiro vôo para a cidade do México.
    Dessa vez, ele não iria perder tempo indo a hotéis. Alugou um carro assim que chegou ao México, checou o inventário, o mapa que lhe fora enviado com a localização do pergaminho mexicano e seguiu seu rumo. Dessa vez, tudo daria certo.
    Mas não deu.
    Dessa vez, na verdade, havia segurança na locação, o que deu trabalho à Rutland e a seus dois capangas. Dessa vez, caminho dentro da pirâmide não estava facilitado. Mais uma vez, do que a moderna segurança e as antigas armadilhas não deram conta, os seres sobrenaturais revividos dentro da própria pirâmide tiveram que tentar parar. E, mais uma vez, Rutland fugiu com um fragmento roubado de pergaminho, sem cumprir as instruções, perseguido por seres mortos-vivos e maldições contra as quais, com a caixa e a Adaga de Hórus na mochila, ele estava imune.
    Rutland fugiu da Pirâmide do Sol e seguiu rumo à sua base na Suíça, apenas com uma certeza: a quantia que ele estava recebendo não compensava aquele trabalho. Mas caso ele debandasse, a quantia a ser paga seria o seu próprio sangue.

    3 DIAS DEPOIS

    - Você não imagina o que eu acabei de ler no Relatório dos Mercenários.
    - No Mer-o-quê? Perguntou Rutland.
    Desde que roubara o pergaminho mexicano, três dias antes, Rutland estava em um dos dormitórios da sua base na Suiça, repousando. Cumpriu algumas ordens em função de tentar parar Lara Croft que, conforme lhe informaram, seguiu seus rastros no Egito e chegou à Austrália. Agora, estava preparando-se para seguir viagem para Madagascar no próximo dia, lugar onde estava o próximo fragmento. Havia poucos guardas na base no momento, e a maioria repousando ou no refeitório.
    - Relatório dos Mercenários, nosso Twitter, respondeu o capanga.
    - E vocês também tem isso agora é?
    - Como você acha que nos comunicamos? Nós também temos família, sabe...
    Rutland balançou a cabeça negativamente.
    - O que diabos você viu no seu... Twitit... Twitter?
    - Lara Croft fugiu da mansão de Balzary.
    - O QUE? Perguntou Rutland indignado.
    Ligou a TV. Procurou pelo canal de notícias. Logo ouviu o que esperava: tempestades e mortes ocorriam agora na Tasmânia, Austrália. Rutland pegou seu celular:
    - Lara Croft conseguiu o pergaminho australiano.
    - O QUE?
    - É isso mesmo, aquela maldita conseguiu.
    - Mas como, você não fez o que mandei?
    - Claro que sim! Meus homens grampearam o telefone dela e descobriram que ela iria se encontrar com Michael Littletown na Biblioteca Nacional da Austrália. Contatei Balzary, falei que Croft estava roubando os pergaminhos e iria atrás dele. Mandei até os capangas meus para irem lá ajudar a reconhecer e capturá-la, caso ela realmente aparecesse por lá, e eles fizeram isso! Como foi que ela...
    - Isso não importa mais. Você tem que ir para Madagascar agora!
    - Agora? Mas eu só iria...
    - Agora!
    BANG. BANG.
    Rutland assustou-se. Sons de tiros soaram dentro da base.
    - Mas o que...
    O alarme começou a soar. Instantes depois, um capanga entrou pela porta do dormitório, bateu-a e trancou-a.
    - O que é que você está fazendo? O que diabos está acontecendo? Perguntou Rutland, já nervoso.
    - Senhor, temos um invasor, disse o capanga alarmado.
    - Quem?
    - É Lara Croft.

    FIM DA PARTE III: AS MEMÓRIAS DE JASON SMITH


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