(2x02) Capítulo 6 – A Herança dos Sacerdotes

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    Hugo
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    (2x02) Capítulo 6 – A Herança dos Sacerdotes

    Mensagem por Hugo em Sex 18 Dez 2009, 09:16

    Tomb Raider: A Herança dos Sacerdotes
    Escrito por Richard Bentham


    Parte 2 – "The Land Down Under"


    Capítulo 6 – A Herança dos Sacerdotes



    INGLATERRA

    - O QUÊ? Perguntaram Zip e Alister juntos, incrédulos, em reação ao que Winston acabara de lhes contar.
    - O que fazemos agora? Perguntou Alister.
    - Chama a Europol, a Interpol... disse Zip, apavorado.
    Winston estava visivelmente abalado, porém disse controlado:
    - Não faremos nada. Não vamos interferir nos planos de Lara. Pelo menos por enquanto.
    - Planos de Lara? Que planos? Ela foi seqüestrada! Disse Alister, indignado.
    Zip, por outro lado, se acalmou um pouco. Pareceu encontrar sentido no que Winston disse. Colocou a mão no ombro de Alister e falou:
    - Lara sempre tem um plano.

    AUSTRÁLIA

    Uma música suave massageava os ouvidos de Lara. Ela abriu os olhos lentamente. Várias vozes conversavam ao redor. A iluminação estava muito forte, o que fez Lara demorar mais ainda para abrir os olhos. Uma das vozes alertou:
    - Ela está acordando.
    Lara abriu os olhos completamente. Estava sentada diante de uma grande mesa retangular, amarrada, num amplo salão de festas de paredes de pedra. Apesar da iluminação forte do lado de dentro, lá fora ainda estava muito escuro, e caía uma forte tempestade. As gotas da chuva socavam violentamente os vitrais coloridos do salão. As paredes eram cheias de quadros e espelhos, e havia relíquias sobre espécies de vários altares espalhados pelo lugar. Um grande relógio em uma das parede marcava quatro e vinte e três da manhã. O lugar estava repleto de guardas armados até os dentes.
    - Bom dia Lady Croft – disse um homem sentado no lado oposto da mesa, com uns quarenta e tantos, ruivo e de aparência importante. Bem-vinda à Austrália.
    Houve uma pausa. Logo depois, o homem continuou num tom macabramente pacífico:
    - Estou ciente das suas intenções em visitar a Austrália, e receio que terei que matá-la.
    Houve outra pausa, na qual Lara Croft certificava consigo mesma se aquele homem realmente tinha acabado de dizer o que ela achava que tinha ouvido. Concluiu que ele realmente tinha dito aquele absurdo pois, apesar de sua cabeça estar doendo muito, ela estava completamente lúcida. Finalmente, ela disse:
    - E quem é você? Por que ainda não me matou?
    - Desculpe a grosseria. Eu sou Hugh Balzary, e sou o descendente do sacerdote australiano, atual guardião do fragmento australiano do Pergaminho do Tempo. Não a matei pois a senhorita é uma peça importante para mim, e também porque não queria fazê-lo antes de ter certeza absoluta das suas intenções. Matar não é um hábito meu, senhorita, é um último recurso.
    - Pelo menos você é um vilão com princípios – disse Lara, debochando. Um guarda entrou com uma bandeja e duas xícaras de chá. Serviu uma à Lara e outra à Hugh Balzary. O guarda desatou as mãos de Lara.
    - Sirva-se – disse Balzary. Lara obedeceu. Era impossível fugir. Devia haver cerca de dez guardas fortemente armados, e qualquer movimento traiçoeiro seria morte na certa. Lara percebeu que seria melhor continuar a jogar o jogo de Balzary, conversando com ele até bolar um plano de fuga, ou esperar uma boa oportunidade.
    - Eu não sou o vilão aqui, Croft – disse Balzary – Você é.
    - O quê? Perguntou Lara, engasgando com o chá, que não chegava nem perto do que o Winston fazia.
    - Eu sei que você roubou a tumba egípcia e a mexicana e sei que possui dois pedaços do pergaminho. E é por isso não posso matá-la: antes, preciso saber onde você os escondeu para que eu possa restabelecer a ordem. A senhorita não entende a magnitude do que está fazendo. Os eventos no México e no Egito não irão parar até que o pergaminho tenha seu poder anulado novamente.
    - Eu não...
    - Por milênios os sacerdotes deixaram essa herança, esse fardo para nós, seus descendentes. Eu não posso deixar que a senhorita destrua uma ordem estabelecida há tanto tempo. Se a maldição não a parou, então eu irei pará-la.
    De repente, os olhos de Balzary estavam em órbita, e ele adquirira um tom vermelho-arroxeado que, com seus cabelos e barba ruivos, parecia deixar seu rosto em chamas. Sua expressão era fanática. Lara estava confusa: de onde aquele homem tirara aquelas idéias loucas? De uma coisa ela tinha certeza: pela mudança de tratamento tão repentina, aquele homem definitivamente não era normal.
    - Sr. Balzary – disse Lara, tentando manter a voz neutra e calma – Eu não faço idéia do que o senhor está falando. Eu estou sim atrás do Pergaminho do Tempo, e para restabelecer a ordem. Mas eu não possuo nenhum dos fragmentos.
    - Mentira! – gritou Balzary, sem nenhum vestígio da gentileza de quando Lara acordara – Onde estão os fragmentos que possui?
    - Eu não os possuo.
    - Smith – disse Balzary. Um guarda encostou o rifle na nuca de Lara – Agora você tem dez segundos – disse Balzary se aproximando – Onde estão os fragmentos?
    - Eu já disse que não os possuo – Lara estava ficando nervosa.
    - Nove segundos – disse Balzary.
    - Sr. Balzary, estou dizendo...
    - Oito segundos, diga Croft, ou eu juro que vou...
    - Sr., eu não sou quem possui o pergaminho...
    - Sete segundos...
    - ...quem o tem é James Rutland.
    A expressão de Balzary mudou instantaneamente.
    - O que disse, Lady...?
    CRASH.
    O vitral na parede atrás de Lara explodiu em mil pedacinhos. O objeto vindo de fora, responsável pelo estrago, caiu no chão: uma bengala. Todos os guardas se assustaram e apontaram suas armas para onde estava o vitral. Era a chance de Lara. Ela jogou-se para o lado da cadeira e deu uma chave de pescoço no guarda que estava com a arma em sua cabeça.
    - Prendam-na! – gritou Balzary furioso.
    Os guardas não atiraram, pois Balzary queria Lara viva, por isso tentaram partir para a luta, o que deu uma vantagem imensurável à Lara. Apesar de em número bem maior, Lara conseguiu escapar dos guardas, e se deu ao luxo de nocautear um. Lara pegou a arma desse guarda e começou a atirar.
    BAM.
    A porta do salão foi arrombada. O Prof. Michael Littletown irrompeu pela porta, com uma shotgun ao invés de uma bengala, juntamente com uma dúzia de homens armados. Finalmente, os guardas de Balzary começaram a atirar. Começou a guerra. Lara conseguiu correr até Littletown.
    - Littletown, o que diabos faz aqui?
    - Prometi ao seu pai que eu a protegeria, custasse o que custasse – respondeu Littletown, atirando no peito de um dos homens de Balzary.
    - Obrigada – disse Lara – Muito obrigada. O senhor realmente me salvou. Mas agora eu preciso recuperar meu arsenal e conseguir informações.
    - Certo, minha filha – disse Littletown – Eu atraso esses aqui para você. Cuidado!
    Lara correu para fora do salão e chegou no saguão da mansão de Balzary. O lugar era lindo, porém estava notavelmente destruído pelo confronto que começara do lado de fora da sala onde Lara estava, estranhamente sem que ela mesmo escutasse, ou sem que nenhuma alarme fosse soado. A tempestade estava ganhando força e um vento violento e gelado entrava pela porta principal arrombada da mansão. Intuitivamente, Lara seguiu pelo colossal lugar, quase palácio, e chegou ao quarto de Balzary. Lá estava, sobre uma escrivaninha, sua mochila e inventário. Lara equipou-se e ligou o headset.
    - Zip, Alister, vocês estão aí?
    - Lara! - gritou Zip animado – Você está viva! Alister, Winston, venham ver!
    - Lady Croft, ficamos preocupados – disse Winston, aliviado – Littletown nos contou...
    - O que aconteceu Lara? Perguntou Alister.
    - Sabia que ela iria se safar! Disse Zip.
    - OK garotos – disse Lara – Obrigada, mas sem tempo para trocar figurinhas agora. Estou na mansão de um tal de Hugh Balzary, que se diz um dos descendentes do sacerdote australiano e guardião do pergaminho, talvez haja informações importantes aqui.
    - Realmente há – disse uma voz atrás de Lara.
    Era Balzary, parado junto ao batente da porta. Lara sacou uma de suas pistolas instintivamente, porém não era necessário: Balzary estava com um ferimento feito por uma bala no estômago. Continuou a falar:
    - Quando Rutland me contatou ontem à tarde, não posso dizer que confiei totalmente nele. Porém ao mandar meus homens vigiarem o lugar onde Rutland disse que você estaria, e ao vê-la realmente chegando lá, também desconfiei de você. Resolvi me prevenir, apesar de não saber em quem confiar.
    Balzary falava com muita dificuldade. Sentou ao lado do batente, pois não conseguia mais ficar de pé. Após um suspiro, continuou:
    - Mas algo me diz para confiar em você, Croft. Na minha opinião, você é quem está falando a verdade.
    Balzary apontou para uma gaveta, num arquivo junto à parede.
    - Ali tem toda a informação que você precisa.
    Balzary começou a tossir sangue violentamente e Lara aproximou-se para tentar ajudar. Porém, inesperadamente, Balzary segurou com força o pulso de Lara e começou a dizer como um alucinado:
    - Cuidado com a maldição! Vá ao subsolo! Lá você irá encon...
    Balzary engasgou com a palavra. Sua mão afrouxou. De repente, ele soltou uma exclamação e tombou: o homem acabara de morrer.
    - ...wow – disse Zip no headset, após uns segundos de silêncio.
    Lara foi até a gaveta apontada por Balzary. Lá tinham muitos papéis antigos e mapas com estranhos símbolos, que ela mandou para Alister examinar.
    - Para onde você vai agora Lara? Perguntou Alister.
    - Ele falou em subsolo – disse Lara – Acredito que ele esteja se referindo à um subsolo na mansão. Irei procurar por isso nesses mapas.
    Lara acertou. Havia um mapa que mostrava a planta da mansão, e outro como chegar ao subsolo dela. Ela teve que voltar ao saguão da mansão e, ativando uma série de mecanismos, conseguiu abrir uma passagem no jardim indicada no mapa. Antes de ir até lá, Lara retornou ao salão de festas.
    O cenário era desolador. Dezenas de guardas estavam mortos e, dentre os corpos, estava o de Michael Littletown.
    - Droga! – disse Lara, com um aperto no peito.
    Alguém havia baleado o velho homem na nuca. Lara se abaixou.
    - Obrigada por me ajudar – disse Lara – Não será em vão.
    Lara fechou os olhos do cadáver. Ficou ali por alguns instantes, depois levantou-se e seguiu para o jardim, onde estava a entrada do subsolo da mansão.


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