(3x02) Capítulo 9 - O Segundo Passo

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    Hugo
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    (3x02) Capítulo 9 - O Segundo Passo

    Mensagem por Hugo em Sex 08 Jan 2010, 10:56

    Tomb Raider: A Herança dos Sacerdotes
    Escrito por Richard Bentham

    Parte 3 - As Memórias de Jason Smith


    Capítulo 9 - O Segundo Passo

    CAIRO, EGITO - 4 DIAS ATRÁS

    Rutland estava deitado na cama dura do quarto daquele hotel no Egito, segurando uma chave dourada. O sol estava se pondo.
    “Faz seis anos que estive no Egito”, pensava ele, “e aqui estou novamente esperando por uma ligação. Por que esperar seis anos para continuar um plano?”
    O celular vibrou em seu bolso. Ele rapidamente atendeu.
    - Rutland - ele disse.
    - Está pronto? Perguntou a voz do outro lado da linha.
    - Acredito que sim.
    - Lembre-se: não deixe que ninguém além de você pegue o pergaminho. Faça como eu falei, não pule nenhuma etapa.
    - Entendido.
    - Está com a chave?
    - Estou. E com a caixa também. Embora eu não saiba por que é necessário.
    Rutland olhou a chave dourada em uma de suas mãos. Seis anos atrás, depois que roubou a adaga do Templo de Hórus no resgate de Lara Croft, enviou-a para quem havia o contratado. Recebeu-a de volta uma semana atrás, trancada numa caixa de ouro com um Ankh gravado sobre a superfície. Recebera também uma chave dourada, que agora estava em uma de suas mãos, e que abria a caixa com a adaga roubada. Junto também veio uma carta de quem o contratou, que continha um mapa, informações sobre o plano e instruções para que ele fosse para o Egito em uma semana. Algumas das instruções era para que antes de sair de sua base, levasse alguns capangas e ao menos a chave dourada da caixa com a adaga. Agora lá estava ele no hotel, uma semana depois, com seus capangas, aguardando o sinal que acabara de receber.
    - Você precisa estar com a chave, ou com a caixa, ou com a adaga para se proteger se algo der errado – disse a voz no celular. Agora vá. Já está na hora.
    Um pouco confuso, Rutland desligou o celular, pegou o mapa, prendeu a chave num cordão em torno do pescoço, colocou a caixa com a adaga na mochila e foi no bar do hotel. Seus capangas estavam lá.
    - Está pronto, senhor? Perguntou um deles.
    - Acredito que sim, disse Rutland. Vamos.
    Rutland e mais quatro capangas saíram do hotel, pegaram um jipe e se dirigiram às pirâmides. Os capangas que restaram, receberam ordens para permanecerem no hotel. Em menos de uma hora, Rutland e os capangas chegaram ao local. Incrivelmente não havia nenhum guarda. Foi fácil para ele e os capangas passarem pelos portões e adentrarem na área. Após algum tempo, chegaram à pirâmide de Quéfren. Rutland pegou o mapa. Antes de entrar na pirâmide, deu as instruções:
    - Sempre me sigam. Não se separem. Não toquem em nada. Qualquer coisa que se mova, atirem. Caso algo dê errado, não corram, não entrem em pânico, vocês não chegarão à lugar algum sozinhos. Coloquem suas máscaras de gás e vamos.
    Os capangas obedeceram. Logo, eles estavam dentro da pirâmide, Rutland guiando os quatro homens, seguindo o mapa. Apesar de várias passagens, o caminho estava livre e facilitado devido às atividades de escavação recentes no lugar, e não demorou muito para chegarem à uma grande escadaria que levava ao subsolo. Pararam em frente à ela. Rutland observou bem, e então disse:
    - Vamos. Não se esqueçam das instruções.
    Rutland foi na frente, com cuidado onde pisava. Quando finalmente chegou ao final da longa escadaria, viu que não seria necessário tanto cuidado: havia sido instalada iluminação no lugar, e as armadilhas foram desarmadas, para facilitar o trabalho dos arqueólogos que explorariam o recém-desenterrado corredor no dia seguinte. Agora, tudo o que ele deveria fazer era seguir até o fim do corredor e entrar no ponto indicado no mapa. Chegando lá, virou-se para a parede, observou-a e disse:
    - É aqui que está indicado. Vamos ter que derrubar.
    Os capangas tiraram suas mochilas. Um deles tirou C4 de dentro dela.
    - Não! Gritou Rutland – Idiota! Quer matar todos nós soterrados? Temos que remover os blocos com cuidado. Já é arriscado com ferramentas, e você tira C4 da sua mochila? Num corredor fechado?
    - Desculpe, senhor...
    - Ao trabalho.
    Os capangas pegaram algumas ferramentas, improvisaram outras e logo abriram uma passagem na parede. Em seguida, atravessaram para a outra sala.
    O que viram foi uma câmara imensa, que parecia muito mais velha e empoeirada do que qualquer outra parte daquela pirâmide que tivessem visto. No centro, havia um túmulo de bronze. As paredes eram decoradas em lápis-lazuli e ouro, e continham hieróglifos e outros símbolos que, na verdade, pareciam ser mais arcaicos ainda. Havia tesouros e relíquias de ouro espalhados por todo lado. Eles pararam e contemplaram a sala por um momento, com suas lanternas.
    - Vamos logo – disse Rutland enfim – Vamos pegar o que viemos pegar e dar o fora daqui.
    Rutland rumou para o lado oposto da sala. Uma parte da parede, quase um grande quadrado, era mais funda. Rutland checou a sala. Dentre os vários tesouros de lá, havia quatro grandes placas de ouro. Rutland pegou as placas e encaixou-as na parede. Juntas, formavam uma estranho símbolo ao centro, semelhante à uma estrela e uma lua.
    A sala inteira começou a tremer. O túmulo no centro se abriu.
    - Não toquem em nada – disse Rutland – Eu primeiro tenho que...
    - Sr. Rutland, cuidado!
    O capanga atirou em algo atrás de Rutland. Rutland virou-se: era um soldado-caveira, que estivera prestes a atacá-lo com uma lâmina. Rutland virou-se de volta para os capangas e por pouco não entrou em pânico: um mini-exército de soldados-caveira havia se materializado atrás dos capangas.
    - Atrás de vocês! Avisou Rutland, apontando com a lanterna.
    Os capangas viraram-se e começaram a atirar. Rutland gritou:
    - Deem conta deles. Eu vou dar um jeito de tirar o pergaminho daqui.
    - Seja rápido! Gritou um de seus capangas. Mais soldados materializavam-se.
    Rutland tirou as instruções do bolso. Fora avisado que antes de tirar o pergaminho, teria que ler as palavras escritas no verso do papel, para que tudo saísse certo. Rumou para o túmulo. Dentro dele, um esqueleto com ornamentos de ouro segurava um fragmento do Pergaminho do Tempo sob os braços cruzados sobre o tórax. Rutland começou a ler as palavras.
    - O que é isso? Gritou um dos capangas, desesperado – Pegue esse pedaço de papel velho que veio buscar e vamos embora!
    - Tenho que ler...
    TUM. Um soldado-caveira atingiu Rutland na cabeça com o cabo da lâmina, fazendo-o cair. Os soldados fechavam cada vez mais o cerco.
    - Isso é loucura – disse outro dos capangas – Peguem logo esse papel e vamos dar o fora daqui.
    - Não! Gritou Rutland, no chão, levantando-se, zonzo com a pancada – Não toque no pergaminho!
    Tarde demais. O capanga puxou o pergaminho de dentro do túmulo. O lugar começou a tremer ainda mais. Rutland levantou-se, mas não foi o único: o sacerdote egípcio acabara de levantar do túmulo também, com as cavidades oculares preenchidas apenas com um brilho dourado. Os capangas empalideceram, embora isso não pudesse ser notado ali no escuro.
    - Corram! Gritou um deles. Os mercenários começaram a dar tiros de shotgun e jogar granadas descontroladamente, tentando alcançar o caminho de volta para o corredor. O sacerdote egípcio pegou Rutland pelo pescoço. Soltou um urro. Rutland debatia-se, lutando pela vida. O sacerdote apertou a mão, constituída apenas de ossos, em torno do pescoço do homem. Rutland conseguiu alcançar sua shotgun bem a tempo – colocou-a contra o tórax do sacerdote e atirou.
    BANG.
    Voaram ossos por todos os lados. A mão do sacerdote soltou o pescoço de Rutland com força, arrancando parte da gola da blusa e a corda com a chave dourada no pescoço, que caiu no meio dos ossos e ornamentos de ouro dentro do túmulo. Não havia tempo para procurar aquela chave inútil; ele tinha que sair dali o quanto antes.
    - Malditos! Gritou, atirando no exército que continuava a cercar, tentando abrir o caminho de volta ao corredor. Os capangas estavam chegando quase lá. Rutland os alcançou.
    - Mê dê esse pergaminho – disse, tomando o pergaminho da mão do capanga – Veja o que causou. Vamos dar o fora daqui!
    Com o lugar tremendo e com o exército do sacerdote ainda em seus tornozelos, os cinco homens chegaram ao corredor. Ali, a situação era pior; estava tudo literalmente desabando. Mais caveiras surgiam à frente.
    - Corram! Disse Rutland, parecendo esquecer completamente das regras que ele mesmo impôs antes de descer a escadaria.
    Todos, da maneira que puderam, seguiam ruma à escadaria o mais rápido que conseguiam, e atirando ensandecidamente. Rutland à frente, com o coração na garganta, perguntava-se o que era tudo aquilo. Ele ouviu os capangas gritando atrás, porém não olhou; não olharia, precisava sair dali; ele tinha que correr. Ouviu som de lâminas – pareciam armadilhas sendo reativadas. Um soldado-caveira surgiu à sua frente – por reflexo, Rutland atirou nele, fazendo-o cair. Rutland correu mais um pouco, e finalmente chegou à escada. Ouviu mais gritos vindo de trás. Virou-se à tempo de ver tudo desmoronar atrás dele assim quando chegou à escada, bloqueando a passagem para os outros, e deixando-o passar inteiro para a pirâmide de Quéfren. Parou. Sentia-se terrivelmente cansado, horrível, como se fosse desmaiar.
    Mas, para o horror de Rutland, ainda não havia acabado: os soldados-caveira começaram a atravessar a parede desmoronada.
    - Ah não... disse Rutland.
    Recomeçou, então, a subir as escadas o mais rápido que podia, sem olhar para trás. Tirou, enquanto corria, o mapa da pirâmide da sua mochila. Fez o caminho de volta e em menos de 10 minutos estava novamente na entrada da pirâmide. Não tinha mais consciência de nada, nem se estava sendo seguido ou não; apenas continuou correndo até o jipe e tomou o rumo do hotel com um único pensamento: aquilo tudo valia a quantia que a pessoa que o contratou estava pagando?


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      Data/hora atual: Sab 25 Nov 2017, 04:41